A história é: a pessoa fechou aquele “pacotão” de direção (muitas vezes com 20 horas), pagou tudo certinho, e aí começaram a pipocar as notícias sobre CNH sem autoescola. Resultado: uma dúvida que preocupa o bolso. E, então, dá para pedir ressarcimento de aulas práticas que ainda não foram feitas?
É, a regra mudou mesmo. Só que tem um detalhe importante: não existe um reembolso automático do governo. Na maioria dos casos, o ressarcimento de aulas práticas vira um assunto de contrato e negociação com a autoescola e, quando a conversa não anda, entram caminhos como Procon e Juizado. O Manual da Web vai te contar tudo agora.
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O que mudou na CNH sem autoescola
Antes, o processo da primeira habilitação era uma coisa única: para cumprir etapas, muita gente passava obrigatoriamente por um CFC/autoescola, com carga mínima maior de aulas práticas.
Com a Resolução Contran nº 1.020/2025, o modelo ficou mais flexível e digital.
O candidato passa a ter mais caminhos para se preparar e tocar o processo, inclusive com conteúdo teórico disponibilizado de forma digital e com mais opções na parte prática.
Alguns pontos importantes:
- A carga horária mínima de aulas práticas caiu para 2 horas (para categorias como A/B), mantendo a obrigatoriedade de aulas e do exame prático;
- As aulas práticas podem ser feitas com instrutor autônomo credenciado, com instrutor ligado à autoescola ou em outras estruturas previstas;
- O processo e o curso teórico entram mais no mundo digital, com orientação para abertura e acompanhamento por canais oficiais.
Em São Paulo, por exemplo, o Detran-SP chegou a divulgar atualização do sistema para permitir a certificação de aulas práticas com carga mínima de 2 horas, alinhada à regra federal.

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Como funciona o ressarcimento de aulas práticas com a CNH sem autoescola?
Primeiro, o que quase ninguém quer ouvir (mas ajuda a economizar tempo): o Detran e o Ministério dos Transportes não definem sozinho o reembolso do que foi pago para a autoescola.
O motivo é simples: isso costuma ser entendido como relação consumidor x empresa, baseada no contrato assinado.
A orientação geral é olhar para o contrato e tentar resolver de forma direta com a autoescola: rever condições, cancelar aulas restantes, negociar abatimento e, quando fizer sentido, pedir ressarcimento de aulas práticas que não foram prestadas.
Isso não significa que o consumidor fica sem saída. Significa que o “caminho oficial” do ressarcimento não é um botão no aplicativo, mas um pedido formal (por escrito) e, se houver negativa, uma escalada organizada para órgãos de defesa do consumidor.
Veja quem tem direito a restituição de valores
Direito quase sempre depende de um combo: o que foi contratado, o que já foi prestado e como a autoescola cobra o cancelamento. As situações mais comuns ficam assim:
- Aulas práticas que ainda não aconteceram: é o cenário mais forte para pedir ressarcimento de aulas práticas, porque o serviço ainda não foi prestado;
- Aulas práticas já realizadas: em geral, o entendimento é que não faz sentido reembolsar o que já foi efetivamente usado, e a briga costuma ficar no “restante” do pacote;
- Multas e retenções: se houver cobrança de multa pesada, retenção injustificada ou dificuldades criadas só para impedir o cancelamento, dá para questionar.
Um jeito fácil de pensar: o pedido de ressarcimento de aulas práticas costuma ser mais fácil quando ele mira a parte não utilizada do serviço.
Passo a passo para fazer a solicitação de ressarcimento no Detran
Antes de tudo: o pedido de dinheiro quase sempre é feito para a autoescola, porque foi ela quem recebeu o pagamento.
O papel do Detran é orientar o processo de habilitação (etapas, sistema, registros) e, dependendo do estado, indicar canais de atendimento, mas não é o Detran quem “paga o reembolso” por conta própria.
Passo 1: junte tudo o que prova o que foi pago e o que foi feito
Antes de falar com qualquer canal, deixe separado:
- Contrato ou termos assinados;
- Comprovantes de pagamento (Pix, cartão, boleto);
- Controle de aulas realizadas (agenda, ficha, prints, recibos);
- Conversas relevantes (WhatsApp, e-mail), com data.
Passo 2: formalize o pedido de cancelamento das aulas restantes por escrito
A etapa que mais resolve problemas é a que mais gente pula: pedido por escrito. O Procon-SP, ao orientar situações de rescisão/devolução em serviços educacionais, reforça a importância de solicitar por escrito e protocolar/guardar o pedido.
No pedido, é legal incluir:
- Quantas aulas foram contratadas;
- Quantas já foram realizadas;
- Que deseja cancelar as restantes;
- Que solicita ressarcimento de aulas práticas não realizadas (ou abatimento proporcional).
Passo 3: peça um demonstrativo de cálculo e um prazo de resposta
Peça para a autoescola explicar por escrito:
- Valor total pago;
- Valor referente às aulas já realizadas;
- Valor referente às aulas ainda não realizadas;
- Multas previstas (se existirem) e por quê.
Isso é bem importante tanto para negociação quanto para uma reclamação formal depois.
Passo 4: use os canais do Detran para entender o status do seu processo
Nessa parte entra o “lado Detran” do assunto: checar como está o processo de habilitação no seu estado, o que está ativo, o que está pendente e o que depende de sistema.
Em SP, por exemplo, o Detran conta com orientações e pré-requisitos para etapas como exame teórico (requerimento no app, curso teórico, biometria, avaliações).
Passo 5: se a autoescola negar sem justificativa, registre reclamação no Procon e avalie o Juizado
Se o pedido de ressarcimento de aulas práticas for ignorado, negado sem base ou travado por cobrança que pareça fora de proporção, a orientação recorrente é:
- Registrar reclamação no Procon;
- Em valores menores, avaliar o Juizado Especial Cível (pequenas causas).
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Dinheiro de volta precisa de organização e um pouco de paciência
O ressarcimento raramente acontece no susto. Mas, com documento em mãos, pedido por escrito e um caminho de escalada (Procon/Juizado), é possível transformar tudo em um processo mais justo.
E vamos fechar aqui: CNH sem autoescola mudou tudo para quem vai começar agora e, para quem já pagou pacote antigo, o ressarcimento de aulas práticas tende a ser viável principalmente na parte que ainda não foi usada.
O segredo é pedir do jeito certo, guardar provas e não deixar o assunto virar conversa infinita sem protocolo.

