Você trabalhou com carteira assinada entre 1999 e 2013? Você sabia que pode ter acumulado valores no Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) corrigidos por um índice que não acompanhou a inflação? A revisão do FGTS é uma ação judicial que visa recuperar a diferença entre os valores que o trabalhador recebeu e aqueles que deveria ter recebido em razão da correção monetária. O tema gerou expectativa por muitos anos e, em fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu uma resposta definitiva que todo trabalhador precisa conhecer ao tomar decisões financeiras.
Essa decisão é um fator determinante para aqueles que planejam entrar com uma ação agora visando à correção do FGTS. Neste artigo, o Manual da Web explica o que mudou, quem ainda pode buscar a revisão por via judicial, como consultar o extrato do FGTS pelo aplicativo e como calcular todos os valores envolvidos.
O que é e quem tem direito a revisão do FGTS?
A revisão do FGTS é uma ação que questiona a Taxa Referencial (TR) utilizada como índice de correção monetária do Fundo de Garantia.
Desde janeiro de 1999, a TR deixou de ter capacidade de proteger o trabalhador dos efeitos da inflação, mas continuou sendo usada como índice de correção do FGTS.
O resultado foi uma defasagem acumulada nos saldos de quem teve carteira assinada nesse período.
A revisão do FGTS pode ser solicitada por qualquer trabalhador que tivesse saldo no Fundo de Garantia entre os anos de 1999 e 2013, incluindo trabalhadores assalariados, domésticos, rurais, temporários e avulsos.
Mesmo quem já sacou o FGTS nesse período pode entrar com a ação, porque o direito se refere à diferença de correção que deveria ter sido aplicada.
Em fevereiro de 2026, o STF concluiu o julgamento definitivo e decidiu que não haverá recálculo automático dos valores depositados entre 1999 e 2013.
A nova regra de correção do FGTS vale apenas para depósitos efetuados a partir de junho de 2024. Isso significa que os valores antigos não serão corrigidos automaticamente pelo governo.
Ainda assim, os trabalhadores têm a opção de buscar a revisão individualmente por meio de ação judicial.
Se o valor da ação for inferior a 60 salários mínimos (cerca de R$ 97.260 em 2026), o trabalhador pode propor o pedido sem advogado pelo Juizado Especial Federal.
Para valores acima desse limite, a ação precisa ser proposta na Justiça Federal com representação de advogado.
Para dar entrada na ação, você vai precisar do extrato completo do seu FGTS do período 1999-2013.
O FGTS (Android | iOS), aplicativo oficial da Caixa, é o caminho mais rápido para acessar esse histórico direto pelo celular.
Para entender todos os detalhes sobre modalidades de saque e regras do FGTS em 2026, confira o guia completo do FGTS.
Passo a passo para acessar seu extrato do FGTS pelo app
O primeiro passo para avaliar se vale a pena entrar com a revisão é ter o extrato completo em mãos. Veja como acessar:
Passo 1: baixe o app
Baixe o FGTS (Android | iOS) na loja de aplicativos do seu celular gratuitamente, desenvolvido pela Caixa Econômica Federal.

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Passo 2: faça login com CPF
Abra o app e informe seu CPF. Se for o primeiro acesso, crie uma senha de 6 dígitos e valide sua identidade com data de nascimento e nome da mãe.

Passo 3: localize todas as contas
Na tela inicial, o app mostra todas as contas vinculadas ao seu CPF, incluindo empregos anteriores.
Selecione as contas do período entre 1999 e 2013 para verificar os valores depositados naquela época.

Passo 4: acesse o extrato detalhado
Dentro de cada conta, toque em ‘Extrato’ para ver o histórico completo de depósitos, saques e correções aplicadas. Esse extrato é o documento principal para qualquer análise jurídica de revisão.
Registre os valores e datas dos depósitos do período que você quer revisar. Quanto mais completo o histórico, mais preciso será o cálculo da diferença pela correção que deveria ter sido aplicada.

Passo 5: solicite extrato completo na Caixa (opcional)
Para períodos muito antigos, o app pode não ter o histórico completo. Nesse caso, acesse uma agência da Caixa com seu CPF e solicite o extrato completo do período de 1999 a 2013 para fins de ação judicial.
Formas para receber a correção do FGTS pelo CPF
Uma vez que você tenha em mãos o extrato, é imprescindível que a revisão do FGTS seja solicitada judicialmente. O procedimento geralmente abrange:
- Orientação de um advogado especializado em direito trabalhista ou previdenciário;
- Avaliação individual do caso com base no tempo de trabalho e valores depositados;
- Documentos como RG, CPF, comprovante de residência, carteira de trabalho e extrato do FGTS do período.
Antes de contratar um advogado ou escritório, considere a relação custo-benefício. Ações judiciais envolvem honorários advocatícios que costumam ser cobrados como percentual do valor recuperado, geralmente entre 20% e 30%.
Se o valor potencial de revisão for pequeno, os custos podem superar o ganho. Desconfie de escritórios que prometem valores exatos de recuperação sem antes analisar seu extrato.
A revisão não oferece garantia de resultados, e é importante ter cuidado com quem considera esse direito como uma certeza. A ação é legítima, mas o resultado depende do juiz e do histórico do trabalhador.
Melhores contas bancárias para o saque
Se você recuperar valores pela revisão ou tiver saldo disponível para saque por outras modalidades, contas digitais gratuitas como Nubank, Mercado Pago e PicPay são as opções mais práticas para receber.
Esses bancos não cobram taxa de manutenção, e o crédito é transferido por Pix em poucos minutos. Para o saque do FGTS pelo app, basta cadastrar uma conta em seu nome na seção ‘Saques’.
Como dar entrada na ação de revisão do FGTS
Para entrar com a ação de revisão, reúna o extrato do período, RG, CPF, comprovante de residência e Carteira de Trabalho.
Um contador ou advogado especializado elaborará o cálculo da diferença entre o que foi aplicado pela TR e o que deveria ter sido aplicado por índices como INPC ou IPCA. O cálculo é o núcleo da ação.
Com os documentos e o cálculo em mãos, você pode entrar com a ação no Juizado Especial Federal se o valor for inferior a 60 salários mínimos, sem precisar de advogado.
Para valores maiores, a representação por advogado é obrigatória na Justiça Federal. O réu da ação é sempre a Caixa Econômica Federal.
Um aspecto importante a considerar é o prazo prescricional para o ajuizamento da ação.
Consulte um advogado para entender se o seu caso ainda está dentro do prazo permitido, pois isso varia conforme a situação específica de cada trabalhador e as decisões dos tribunais.
Qual o cálculo do valor do FGTS hoje?
O cálculo do FGTS atual funciona da seguinte forma: o empregador deposita mensalmente 8% do salário bruto do trabalhador na conta do FGTS.
Esse saldo rende 3% ao ano mais TR historicamente, mas, a partir de junho de 2024, o STF garantiu que o saldo do trabalhador não seja corroído pela inflação.
Se o rendimento do FGTS no ano for inferior à inflação medida pelo IPCA, o governo deposita a diferença na conta do trabalhador.
Para calcular o valor atual, acesse o extrato no FGTS (Android | iOS), some todos os saldos das contas ativas e multiplique por 8% para ter uma ideia do quanto está sendo depositado pelo seu empregador atual.
Para períodos anteriores, o cálculo de diferença pela revisão precisa ser feito por profissional com os índices aplicáveis a cada ano.
Para saber como consultar saldos de contas inativas, veja o artigo sobre saldo de contas inativas do FGTS.
Avalie com cuidado antes de entrar com a ação
A revisão do FGTS é um direito legítimo, porém a decisão do STF em fevereiro de 2026 impediu a possibilidade de correção automática.
Quem desejar buscar a diferença deve fazê-lo por meio de um processo judicial, o que envolve custos, prazos e resultados incertos.
Antes de contratar um advogado, consulte seu extrato no FGTS (Android | iOS), entenda os valores envolvidos e avalie se o ganho potencial justifica o processo.
Continue navegando pelo Manual da Web para mais tutoriais sobre FGTS, benefícios trabalhistas e aplicativos do governo que ajudam você a acompanhar seus direitos financeiros.

